Copa: Ex-diretor diz que a Globo destruiu canal esportivo do grupo
SporTV tem recebido críticas durante a cobertura da competição
A Copa do Mundo de 2026 não tem sido boa para o Grupo Globo. A emissora dos Marinho não adquiriu os direitos de todos os jogos da competição e não apresenta bons números de audiência, tanto na TV aberta quanto no SporTV (TV fechada) e na web, com o GE TV. O ex-diretor do SporTV, Raul Costa Jr., lamentou, por meio das redes sociais, o que chamou de “destruição” do canal a cabo. Ele esteve na operação durante a Copa do Mundo de 2014, quando a emissora ficou ao vivo ininterruptamente durante todo o período da competição, e também nos Jogos Olímpicos de 2016.
Na ocasião das Olimpíadas do Rio, o programa É Campeão, do canal esportivo, recebeu o prêmio Golden Rings Awards do Comitê Olímpico Internacional (COI).
— O canal que ficou 24 horas no ar com cobertura da Copa 2014, que produziu o melhor programa olímpico de 2016 [segundo premiação do Comitê Olímpico Internacional], tem presença irrelevante na Copa 2026 (…) A que ponto chegamos — declarou.
Raul afirmou que tentou, inicialmente, não se pronunciar sobre o atual momento do canal, mas se sentiu incomodado com o que tem visto.
— Até agora, eu estava em silêncio. Mas, vendo o que estou vendo, não posso ficar quieto (…) Muito triste por terem destruído o SporTV — desabafou.
O ex-diretor também ressaltou que, mesmo os que são críticos à TV Globo conseguiam desvincular o SporTV do grupo. No entanto, a falta de renovação e os resultados recentes podem trazer efeitos negativos de longo prazo para o canal.
— A marca SporTV era muito querida por todos, como mostravam as pesquisas, e o canal cumpria o papel de ser alternativa para quem não gostava da Globo. E agora? Para reconstruir, será difícil. Mesmo que consigam negociar a volta da exclusividade da Copa para a Globo, sempre ficará a imagem da vitória pela força, e não pelo talento — declarou.
As Olimpíadas de 2028 terão cobertura do canal global, mas, para Costa Jr., será necessária uma reformulação para que os resultados sejam melhores que na Copa de 2026.
— Existem caminhos que precisam ser pensados de uma perspectiva diferente da atual. O que não dá é para manter este modelo. Repetir o atual padrão de cobertura na Olimpíada de 2028 colocará o SporTV em um caminho sem volta — sugeriu o ex-diretor.
As informações foram publicadas pelo site TV Pop.
O Grupo Globo tem enfrentado dificuldades no que diz respeito à Copa do Mundo desde a edição de 2022, quando renegociou o contrato com a FIFA e perdeu os direitos exclusivos no digital. A LiveMode, empresa de mídia brasileira, comprou os direitos, criou a CazéTV e exibiu 22 dos jogos à época.
Em 2026, a CazéTV conseguiu adquirir todos os 104 jogos da competição, deixando o grupo Globo com metade dos jogos. Além disso, o canal do YouTube exibe programas ao vivo durante quase todo o dia e, em jogos do Brasil, chegou a ter 21 milhões de aparelhos conectados simultaneamente.











