Quem era Bonnie Tyler, cantora que morreu aos 75 anos
Bonnie Tyler é uma das artistas britânicas mais populares dos anos 1980
A voz rouca de Bonnie Tyler fez da cantora uma das artistas britânicas mais populares dos anos 1980. A artista morreu aos 75 anos em um hospital em Portugal, onde estava em tratamento para uma doença, segundo informou a família nesta quinta-feira (9). Bonnie estava internada em estado grave na UTI desde meados de junho, após sair de um coma induzido. Em maio, ela passou por uma cirurgia intestinal de emergência e, no dia seguinte, sofreu uma parada cardiorrespiratória.
Batizada como Gaynor Hopkins, no País de Gales, Bonnie Tyler se tornou uma das artistas britânicas de maior sucesso comercial das décadas de 1970 e 1980. Ela transformou o timbre marcante em sua principal assinatura e construiu uma carreira baseada em baladas dramáticas e produções que misturavam rock, pop e influências country.
Filha de um mineiro de carvão, ela nasceu e cresceu em uma habitação social em Skewen, no sul do País de Gales, a cerca de 11 quilômetros de Swansea. A casa da família tinha banheiro externo, e ela dividia a infância com três irmãs e dois irmãos.
Antes da fama, Tyler cantava em bandas locais. Em 1976, precisou passar por uma cirurgia para remover nódulos nas cordas vocais. Durante a recuperação, desrespeitou a recomendação médica de permanecer em repouso e voltou a cantar antes do tempo. O esforço alterou permanentemente sua voz, dando origem ao timbre rouco que mais tarde se tornaria sua marca registrada.
Na época, ela se apresentava com o nome Sherene Davis e era vocalista de uma banda de soul. Foi descoberta pelo caçador de talentos Roger Bell, que a levou para Londres para gravar demos. Após um período em busca de uma gravadora, assinou contrato com a RCA, que também sugeriu a adoção do nome artístico Bonnie Tyler.
Seu álbum de estreia, The World Starts Tonight (1977), trouxe o primeiro sucesso comercial, Lost in France, e lhe rendeu uma indicação na categoria de artista revelação do Brit Awards. No ano seguinte, alcançou o terceiro lugar nas paradas britânicas com It’s a Heartache, consolidando seu nome internacionalmente.
Após um período de menor destaque, Tyler assinou com a Sony e buscou reinventar a carreira e passou a trabalhar com o produtor e compositor Jim Steinman. A parceria que daria origem, anos depois, ao maior sucesso de sua trajetória.
TOTAL ECLIPSE OF THE HEART
Steinman apresentou a ela sua canção Total Eclipse of the Heart, que se tornaria o single de estreia de seu quinto álbum de estúdio, Faster Than the Speed of Night. O vídeo da canção foi gravado em um antigo e assustador manicômio gótico em Surrey, onde, aparentemente, os cães de guarda não entravam nos cômodos do andar de baixo, onde costumavam aplicar eletrochoques nos pacientes.
Embora nunca tenha repetido o sucesso estrondoso de Total Eclipse of the Heart, Bonnie Tyler manteve a carreira em evidência nas décadas seguintes. Entre seus trabalhos mais conhecidos desse período estão os singles Holding Out for a Hero, que integrou a trilha sonora de Footloose (1984), e Here She Comes, do filme Metrópolis (1984).
Em 2013, a cantora voltou às raízes country ao gravar, em Nashville, o álbum Rocks and Honey. Seu álbum mais recente de estúdio, Between the Earth and the Stars, lançado em 2019, reuniu duetos com Rod Stewart, Cliff Richard e Francis Rossi, vocalista da banda Status Quo. No mesmo ano, Bonnie Tyler também participou de um concerto de Natal no Vaticano diante do papa Francisco.
Em 2023, Tyler foi homenageada pelo rei Charles III com o título de membro da Ordem do Império Britânico (MBE, na sigla em inglês) por suas contribuições artísticas.
Na vida pessoal, a cantora era casada com Robert Sullivan, empresário do setor imobiliário e ex-atleta olímpico de judô.
BRASIL
Bonnie Tyler também teve forte ligação com o público brasileiro. Em 1987, gravou ao lado de Fábio Jr. a música Sem Limites pra Sonhar, sucesso no país na década de 1980.
– Me lembro de ele [Fábio Jr.] ser um homem muito bonito que me deu um anel lindo de ouro com pedras cravejadas. Ele era absolutamente lindo. Não consigo me lembrar da música agora, mas éramos número 1 no Brasil. Isso foi muito empolgante – relembrou a cantora em entrevista ao Estadão realizada em 2022, quando ela realizou uma turnê brasileira comemorando 50 anos de carreira.
*AE











